sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A reta final

E quando eu estiver no Brasil fazendo tudo o que fazia antes de 2011... Será que farei tudo da mesma forma? Será que verei a rua onde morei por 20 anos da mesma maneira que a via antes de vir à Austrália? Será que as belezas e defeitos do meu local de origem mudarão? Será que os conceitos serão outros? Será que terei vontade de voltar para a Oceania? Será que terei de buscar um terceiro conceito em outro lugar?

Como será estar de volta a um lugar após viver intensa e exclusivamente um ambiente muito distinto? Apenas mais três meses. Tenho certeza que encerrarei uma parte da minha história que nunca mais terei. Ao mesmo tempo ganharei a melhor história da minha vida. Será a despedida por tempo indeterminado de pessoas que fizeram parte das minhas 24 horas diárias como qualquer outro grande amigo dos velhos tempos já fez. Deixarei de ver, possívelmente para sempre, aqueles lugares que foram meu lar e o meu único canto durante alguns dos momentos mais importantes da minha vida.


A sensação de saudade prévia da Austrália cresce da mesma maneira que, do lado oposto, bate a ansiedade de voltar para casa, rever os grandes amigos, contar as novidades e comer uma comida de casa.


O que resta é a ótima vontade de fazer tudo o que puder para aproveitar os últimos tempos dessa vida incrível. São três meses para aproveitar tudo de melhor que se conheceu e tudo que ainda se tem para conhecer. Será o tempo em que trabalho já não preocupa mais, em que os estudos já estão encaminhados e em que as condições financeiras já estão de acordo com o local. Talvez por isso seja tão difícil deixar tudo isso para trás, uma rotina já está formada e uma vida já foi montada. Talvez por isso muita gente resolva ficar para sempre, pois a vida pode ser tão boa ou melhor quanto a que tínhamos no Brasil.


Nessa reta final, é hora de aproveitarmos a liberdade para fazer o que quisermos. O que importa é que estejamos no aeroporto na hora do voo de volta. Não se trata de ser inconsequente. Vamos fazer esses últimos momentos acontecerem ainda mais intensamente, mas tudo de acordo com a maturidade que ganhamos no desafio que é experimentar essa vida. Não há motivos para preocupar-se com em carreira, currículos e compromissos. Temos reservada, no Brasil, uma vida que nos espera. Aquela terá preocupações e deveres diários, coisas que não fazem parte do cotidiano dos sonhos, mas que são inevitáveis. Imagino que agora será melhor encarar essa vida real à qual voltarei. Sinto que terei experimentado o outro lado da vida, terei vivido algo mais próximo do cotidiano dos sonhos, com menos compromissos e preocupações. Essa é uma grande experiência pelo fato de que se experimenta uma vida diferente e não há nada muito maior que possa ser experimentado.


Deixarei muita coisa para trás e voltarei a ter o que sempre tive. Mas muitas coisas devem retornar comigo. Provavelmente alguns gostos e hábitos terão mudado. Saberei dar mais valor aquilo que sempre tive ao meu lado e que deveria ter apreciado mais. Talvez só perceba no Brasil algumas mudanças. Não será tão fácil voltar para casa. A distância geográfica se compara às diferenças das duas vidas e à possibilidade de viver aquilo novamente. Pode ser complicado, mas é realmente satisfatório por saber que foi possível aproveitar esse tempo ao máximo e que verei sim de outro modo aquela rua em que morei durante 20 anos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A volta às aulas

Optar por ter aulas aos sábados e domingos não foi fácil, ainda mais quando a melhor opção de curso não era o que mais me agradava, business. Também não será uma tarefa simples chegar pontualmente às 7h30. Contudo, com o primeiro final de semana de aula, estou percebendo que fiz a escolha certa.

Por sorte, fui colocado em uma turma interessante, com colegas da América do Sul, Ásia, Europa, Oceania e, especialmente, dos Estados Unidos. Se me propuz a estudar em condições propícias para o tédio, tive de encontrar saídas para isso. A primeira delas foi descoberta logo nos primeiros minutos, a loira norte-americana de beleza e sotaque cinematográficos. Descobri logo de cara que ela tem um namorado brasileiro, nada que me impeça de reservar uns minutos de tédio para imaginar ela dando suas aulas de ioga. Sim, ela é professora de ioga (o que explica a forma física impecável).

A verdade é que a melhor arma para o combate do tédio é a observação. Cada local ou indivíduo tem suas peculiaridades. Basta buscar as características mais incomuns das pessoas e prestar atenção nas situações que vivemos para ver a graça da vida. Muito mais do que um filme de comédia, a vida é engraçada. As pessoas que estão ao nosso redor podem ser tão curiosas quanto os personagens de um longa-metragem e as cenas também se repetem como nos maiores clichês do cinema. Basta observar...

Em qualquer sala de aula do mundo, independentemente de cultura, as turmas são iguais. Há aqueles que sempre chegam com duas horas de atraso e sentam no fundo da classe pensando não terem sido notados pelo professor. Totalmente desinteressados no assunto da aula, baixam suas cabeças, tapam os olhos com uma mão e seguram a caneta com a outra, fingindo escrever enquanto dormem. Também há aqueles que fazem questão de sentar na primeira fileira e de participar da aula a todo momento (normalmente com intervenções desnecessárias), desagrandando ao professor tanto quanto os alunos do fundo. 

Tudo isso que eu via no Brasil tenho notado também por aqui. Mas o que mais tem me entretido nesses primeiros dias de aula são os personagens da turma. Entre essas figuras, está o Jack Chan tailandês, o cara da gargalhada muda, a japonesa que sonha ser a garçonete mais bem-sucedida de Sydney, o coreano que come duas espigas de milho cruas no intervalo, o holandês que ambiciona lucrar 1 milhão de dólares em 2011 com a empresa que ainda não abriu e o lutador de judô húngaro com 145 quilos visivelmente interessado no patinador espanhol quarentão que assiste Harry Potter durante a aula. Não se trata de deboche, apenas de observar os detalhes para buscar um ângulo diferente e mais interessante do que poderia ser apenas um momento entediante e sem atividade alguma na sala de aula.

Os momentos sérios das aulas também tem rendido. Discutindo a respeito de planejamento no ambiente de trabalho, o professor (chefe de cozinha durante 30 anos) questionou-me sobre o que faço. Expliquei minhas funções e ele comentou que já havia trabalhado em um restaurante com o mesmo tipo de serviço. Foi aí que abriu ainda mais meus olhos sobre o aprendizado que posso ter com esse emprego. Eu já valorizava muito essa experiência que venho tendo, mas percebi que a capacidade de trabalhar em equipe e a responsabilidade exigida dentro de um restaurante, por exemplo, podem ser extremamente valiosas em funções bastante distintas no futuro.

Trabalhar como churrasqueiro e estudar business são, definitivamente, atividades de que nunca imaginei participar, que não tem ligação direta com a carreira que imagino seguir e que podem não adicionar muito ao meu currículo, mas experiências e conhecimentos em campos diferentes podem render muito mais. Hoje percebo que uma única aula de business pode ampliar minha noção a respeito de áreas desconhecidas, mudar a visão que tenho daquilo em que já estou envolvido e ainda render momentos divertidos.

Fim de intervalo e hora de voltar para a sala. É a vez de o patinador quarentão e de o comedor de milho cru apresentarem seus trabalhos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Lembranças das férias - A aeromoça

    Conhecemos Robinson ainda em Bali. Desde lá, ele faria parte de todas as nossas aventuras durante as férias. Também brasileiro e também vivendo em Sydney, estava, assim como nós, em busca de praia e festa. Robinson uniu-se definitivamente a mim, Murillo, Dudi e Leonel. Formamos um time. Vivenciamos aventuras, fomos a lugares paradisíacos e conhecemos gente da Ásia, da Oceania e principalmente da Europa. Pois foi justamente uma européia que conquistou Robinson e que ficará guardada nas melhores lembranças de suas férias. 

    Estávamos já em Koh Phi Phi, na Tailândia, o último local que conheceríamos e também o mais belo. Se algum lugar na terra se aproxima do paraíso, esse lugar é Koh Phi Phi, uma ilha minúscula, sem carros, com água do mar quente e cristalina, cheia de jovens e de comida boa. Acordávamos para andar de barco entre as gigantescas rochas inexplicavelmente colocadas no meio do oceano, para mergulhar entre os peixes, para fazer trilhas e para comer dezenas de baratíssimos picolés. Apesar de toda a diversão sob a luz do sol, não parávamos de pensar, durante cada atividade, em como seria a noite nas festas à beira do mar.
   
    Na primeira noite em Koh Phi Phi, a ansiedade superava o cansaço acumulado das duas semanas de férias que já haviam passado. Estávamos mais dispostos do que nunca. Chegando à orla, descobrimos que as noites naquela ilha seriam bem parecidas com as de Koh Phangan, à beira-mar, com competições valendo drinks e com os famosos baldinhos, combinações baratas (e de origem duvidosa) de bebidas servidas em baldes coloridos.

    Robinson havia se perdido do grupo quando encontrou um de nós conversando com duas garotas. Seu amigo estava visivelmente interessado em uma delas. Robinson, porém, mal havia notado a garota loira que atraía a atenção do outro. Assim que os avistou, seus olhos se voltaram diretamente à morena. Eles foram apresentados e logo estavam conversando sentados na areia. A simpatia da morena parecia aumentar no decorrer da conversa. O luar refletido na água combinado com a beleza daquela orla faziam o momento se tornar especial. Robinson não parava de admirar aquela inglesa, Jolie, de 24 anos, linda como nenhuma outra inglesa já vista por ele. Ele não imaginava que poderia se interessar ainda mais pela garota. Até que começaram a falar sobre suas profissões.


- Eu fico de férias aqui em Phi Phi até depois de amanhã, quando volto para Dubai - contou a inglesa.
- Para Dubai? Mas você não é inglesa? - questionou.

- Sou, mas moro em Dubai por causa da minha profissão - respondeu a garota.
- O que você faz?
- Sou comissária de bordo da Emirates.


    A informação demorou alguns segundos para ser processada. Ela era comissária de bordo! Linda, simpática, 24 anos, inglesa, residente em Dubai e AEROMOÇA. Aeromoça da Emirates! Robinson sempre sonhara em conhecer uma aeromoça. Sempre que andava de avião, admirava os sorrisos e a simpatia das diferentes mulheres que o atendiam. Sempre imaginara o dia em que teria a oportunidade de desarmar o penteado impecável de uma aeromoça. Não era à toa que o penteado daquela garota tinha chamado sua atenção...


    Robinson estava ainda mais encantado. Continuou a conversa interessadíssimo. Queria ouvir as histórias de cada país para onde ela havia viajado. Queria saber tudo sobre a vida nos ares. Queria desvendar os mistérios da intimidade de uma aeromoça.


    No dia seguinte, Robinson falou inúmeras vezes sobre sua longa noite para seus amigos. Enquanto eles estavam ansiosos por mais uma festa, ele só pensava em encontrar novamente a inglesa.


    Chegou cedo à festa para procurá-la. Acharam-se rapidamente como se estivessem em busca um do outro. Tiveram uma conversa tão agradável quanto a da noite anterior e dançaram, no bar mais vazio da orla, a música preferida da inglesa antes de saírem da praia abraçados. Já pela manhã, se despediram no hotel de Robinson.


    No terceiro dia em Koh Phi Phi, Robinson contaria sobre a segunda noite perfeita que tivera ao lado da inglesa. Seus amigos contestavam a ideia de ele ver a garota todas as noites ao invés de curtir com eles e de conhecer pessoas diferentes, mas para ele não havia maneira melhor de aproveitar ao máximo aquele lugar. Estava decidido a encontrá-la novamente.


    A vontade de rever Jodie não havia diminuído, mas uma forte febre pegou Robinson de surpresa e o deixou indisposto para aproveitar a noite intensamente. De qualquer modo, foi à praia procurar por Jolie. Afinal, era a última noite da inglesa na ilha antes de voltar a Dubai.


    Mais uma vez, encontraram-se nas primeiras horas de festa. Sob uma chuva insistente, Robinson não estava bem.


- Jolie, eu não estou me sentindo bem. Preciso voltar para o quarto para dormir e me recuperar. Vim aqui só para me despedir de você.
- Que pena... Mas o que você tem? - Jolie falou.
- Estou com febre, acho que tenho descansado muito pouco...
- Tudo bem, melhor dormir então. Mas não precisa se despedir, ainda vamos nos encontrar - falou antes de beijá-lo.


    Robinson voltou ao hotel imaginando se realmente voltaria a ver Jolie. Cansado e febril, dormiu profundamente.


- Ei, acorda... - Alguém cochichou, cutucando o pé de Robinson.


    Com a pouca luz que entrava pela janela, Robinson reconheceu a silhueta de Jolie dentro de seu quarto ainda molhada pela chuva.


- Falei que ainda nos veríamos. A festa lá na praia acabou. Vim te dizer boa noite - disse Jolie com um tom delicado.
- Que surpresa! Não esperava que viesse até aqui... Aliás, como você chegou? - perguntou Robinson.
- Lembro exatamente o caminho que fizemos ontem. Eu ia bater na porta, mas ela estava aberta e eu entrei. Eu queria te dar mais um beijo. Foi muito bom te conhecer! - respondeu Jolie.
- Gostei muito de te conhecer também. Fiquei feliz por você vir se despedir.
- Não precisamos nos despedir. Esqueceu que sou aeromoça? Nos próximos meses vou para Sydney pelo menos uma vez, então a gente se vê. E, quando você já estiver no Brasil, talvez eu passe por lá também. É só combinarmos - falou sorridente.


    Com a aparição no meio da madrugada, Jolie conquistou Robinson definitivamente e ele passou a gostar mais do que nunca de aeromoças. Hoje, em Sydney, Robinson segue esperando o dia em que poderá desarmar mais uma vez o penteado de Jolie.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Um dia especial

Era mais um dia ensolarado e frio no inverno de Sydney. Mais um dia em que eu trabalharia e veria meus amigos após o serviço. Há quem considere rotina um sinônimo de monotonia. Entretanto, os dias que eu vivia apenas aumentavam a vontade de aproveitar cada momento. Nunca uma rotina fora tão prazerosa e cheia de surpresas.

Saindo de casa após o almoço, eu percorreria o trajeto de sempre rumo à churrascaria. Ouvindo Jack Johnson no mp3 player, eu sorria e cantava admirando cada parte do caminho. Eu imaginava a falta que sentiria daquelas ruas assim que eu voltasse ao Brasil. Em alguns meses, cada local tão peculiar e tão presente nessa etapa da minha vida, simplesmente, ficaria para trás e se transformaria em memórias. Eu tentava adivinhar quais daqueles restaurantes, artistas de rua, vendedores e prédios que eu via todo dia fariam parte dessas lembranças.


Foi observando cada detalhe e cada personagem anônimo dessa minha rotina, que me deparei com um morador de rua da Oxford Street. Enquanto eu vivia um sonho verdadeiro e sentia a felicidade fazer meu sorriso crescer naturalmente, aquele homem, ainda jovem, estava, provavelmente, vivendo uma realidade oposta. Sentado na calçada, esticava o braço empunhando um chapéu para receber doações. Muitas vezes, passo por moradores de rua sem ser tocado por um sentimento de solidariedade. Infelizmente, essas situações acabam se tornando corriqueiras e não recebem de nós o valor que deveriam. Porém, naquele momento em que eu observava cada detalhe daquela rua, meu olhar se fixou no rapaz. Ele destoava da realidade perfeita que eu enxergava.


- Se você quiser tenho um pote com comida - ofereci quando lembrei da marmita que sobrara do dia anterior.


O sorrisso que havia saído do meu rosto ao ver a realidade do homem foi transferido. Quem passava a sorrir era ele.


- Muito obrigado, eu quero sim. Muito obrigado mesmo. Que Deus lhe abençoe e que seu dia seja muito especial - agradeceu largando o chapéu e pegando a marmita.


Depois da resposta, os dois estavam sorrindo. Assim, o desejo dele se realizou: o meu dia se tornava especial. Provavelmente aquela era uma das pessoas que ficariam guardadas na minha memória daquele local. Segui meu caminho. Ele ficou lá, segurando o pote como uma criança ao receber o tão esperado presente de aniversário. Ele nem imaginava que o aniversariante daquele dia era eu e que aquele sorriso seria o maior presente pelos meus 21 anos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A melhor e mais simples receita para o inverno

Acredito ter conhecido o prazer gastronômico supremo. Não é algo complexo, caro ou inacessível. Tampouco é um daqueles pratos chiques, requintados e servidos em quantidades mínimas. Bastou a criatividade de alguma mente brilhante hoje desconhecida. Sempre considerei o chocolate como a maior fonte de prazer quando se trata de paladar. Depois de ter passado por tamanha experiência, tirei qualquer possibilidade de esse título ser perdido para qualquer tipo de lasanha ou sorvete. Essa receita já tem alguma fama, mas, assim como era o meu caso até uma semana atrás, tenho certeza que ainda é desconhecida por muita gente. Por isso, faço questão de passá-la para quem ainda não experimentou.

Era uma quarta-feira, quase onze horas da noite. O frio do inverno de Sydney acompanhava a mim, João e Michel após o trabalho. Íamos à casa de alguns amigos, local de encontro quase diário da turma. Passaríamos mais uma madrugada conversando e rindo enquanto o frio tomaria conta das ruas da cidade. Como também já era costume, compramos o inigualável chocolate quente feito com chocolate derretido do Coco Cubano, café vizinho à nossa churrascaria. Foi aí que Michel tocou no assunto que faria nossa noite mudar.


- Vocês já experimentaram Tim Tam com café ou leite quente? - questionou, já empunhando seu copo de chocolate.


Tim Tam é um biscoito muito popular na Austrália. Cremoso E crocante. Recheado E coberto por chocolate. Para mim, não é apenas um biscoito; sempre considerei o Tim Tam como o meio termo entre biscoito e bombom. Michel garantiu que não seria apenas comer o Tim Tam enquanto bebíamos o chocolate quente, seria a combinação perfeita entre o sólido e o líquido. Fomos ao mercado comprar quatro pacotes do biscoito antes de ir à estação.


Concordamos em sentar para fazer a tal experiência. Michel ensinou os passos que deveríamos seguir. Teríamos que quebrar duas pontas opostas do retângulo formado pelo Tim Tam. Uma das pontas teria de ser mergulhada no chocolate quente enquanto a outra ficaria na boca. O Tim Tam seria uma espécie de canudinho. Deveríamos sugar o chocolate quente pelo biscoito. Quando sentíssemos que o líquido estava chegando até a boca, deveríamos colocar o Tim Tam inteiro na boca.

Seguimos as instruções. Antes mesmo de o Tim Tam entrar inteiramente na boca, o processo de derretimento, provocado pela elevada temperatura do líquido, já havia começado. Porém, foi quando o biscoito entrou na boca que chegamos ao ápice do prazer. Os sabores do chocolate quente e de cada uma das camadas do biscoito se uniram em uma única calda quente. Foram 7 segundos de prazer extremo degustando cada etapa do derretimento do Tim Tam, que, multiplicados pelo número de biscoitos comidos, resultaram em bons minutos de degustação para cada um. Nada na minha vida jamais havia se comparado a aquele sabor. Engolir uma dose daquela calda obrigava-nos a comer mais um, outro e outro... Chegamos ao nosso destino ansiosos para contar a novidade para os amigos. Daquela vez não havia sobrado chocolate quente, mas não faltarão oportunidades para compartilhar tamanho sabor com o restante do grupo até o final da estação.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Segundo semestre, segundo começo

Depois das tão sonhadas férias e de muita história para contar, volto a Sydney. Com o procedimento de renovação do visto encaminhado e com o novo curso marcado para o meio de julho, posso reiniciar a minha "vida" tranquilamente. Terei duas aulas por semana em um curso de business. Com isso, cinco manhãs por semana estarão vagas. A intenção era encontrar um segundo emprego para ter uma grana extra em algumas dessas manhãs. No entanto, uma boa oportunidade na churrascaria talvez acabe com a ideia de preencher esse tempo livre com um segundo emprego. O churrasqueiro número um, grande amigo e professor da arte de assar, André, saiu do restaurante e passou o cargo para mim. Logo de cara, recebi uma grande responsabilidade e uma bela chance de me firmar em um único emprego, caso tudo ocorra normalmente.

De fato, o segundo semestre será novo, praticamente um recomeço. Os planos e objetivos mudam, alguns grandes amigos já não estão mais presentes, o início de um novo curso se aproxima e a busca por um novo lugar para morar se intensifica, já que eu e Nick estamos decididos a dividir um quarto novamente. Essa vida de novidades e de incertezas me instiga, me dá vontade de experimentar as possibilidades e de seguir mudando de rotina. Ao mesmo tempo, não posso negar o sentimento quase angustiante de querer saber o que vem pela frente, de conferir se tudo dará certo e se o futuro atingirá as expectativas. O ideal é por os pés no chão e não pensar tanto no futuro para ser capaz de aproveitar o presente com mais intensidade. Por enquanto tem funcionado.

Ainda tenho que ver como ocuparei minhas manhãs. Não posso simplesmente descansar. Afinal, tenho apenas mais seis meses para aproveitar esse país da melhor forma possível e ter muita história para contar para vocês. Aliás, as férias devem render posts interessantes...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

As grandes férias

Tem gente que fala que eu vim para a Austrália para tirar férias, que vim só curtir e deixar a vida séria de lado, lá no Brasil. Vim mesmo. Claro que nem tudo é tão fácil, arranjar emprego e estudo, se virar sozinho, fazer dinheiro, providenciar casa, comida e roupa lavada. Apesar dessas coisas que fazem parte, o meu ano tem sido como férias mais longas. Nem por isso, no entanto, esse período não é produtivo. Objetivos incomparáveis de experiências, relacionamentos e troca de culturas fazem dessas as férias mais positivas que se pode ter. Pois semana passada acabou meu curso. Como era previsto, o primeiro semestre teria cinco meses de estudo e um de férias. São as férias das férias! Para fazer justiça ao valor que esse período merece receber, programei com meus amigos a grande aventura de nossa viagem. Vamos decolar para alguns dos destinos mais procurados por quem vive essa experiência de viver na Austrália. Eu, Murillo, Dudi e Leonel vamos a Bali e à Tailandia, e o dia de partir é hoje.

A ansiedade vem crescendo desde o dia em que cogitamos fazer essa viagem em uma tarde de abril na casa do Leonel. Sabíamos da fama desses destinos como os locais ideais para quem procura praias paradisíacas e muita festa. Para melhorar ainda mais, tudo é muito barato na Indonésia e na Tailandia. Com poucos meses de trabalho poderíamos nos virar muito bem por lá. Fomos juntos à agência de turismo para dar os primeiros passos, descobrimos os destinos mais interessantes, planejamos as datas (de 31 de maio a 17 de junho), encontramos os hoteis que se encaixavam naquilo que procurávamos e começamos a fechar a grande viagem. Bali, Phuket e Koh Phangan (os dois últimos na Tailândia) são os destinos confirmados, mas ainda temos algumas noites em aberto para podermos trocar de rota.

Normalmente quem sai para o exterior abre uma conta no Visa Travel Money. Essa é a opção mais recomendada para não levar muito dinheiro em mãos e ter cartão de crédito disponível em qualquer lugar, já que ele faz a conversão da moeda automaticamente de acordo com a sua localização. As tarifas do cartão australiano fora do país são muito altas. Então a opção foi fazermos um novo VTM que pudesse ser carregado com a nossa grana aqui da Austrália (apenas uma conta está autorizada a carregar o VTM, por isso o nosso antigo cartão VTM não seria útil). Outro momento em que se pode poupar dinheiro é na hora de escolher a empresa aérea, algumas companhias que só vendem tickets online tem um preços muito reduzidos, é o caso da Air Asia e da Bangkok Airways. Essas empresas, porém, não tem um atendimento tão bom e oferecem um risco maior de atraso ou cancelamento de voôs. Recomendaram que fizéssemos os voos de maior distância (Sydney-Bali e Phuket-Sydney) por uma agência maior, a Malaysia Airlines. Os voos mais curtos, então, fechamos pelas outras empresas.

Grandes parceiros que chegaram junto comigo na Austrália voltarão ao Brasil assim que esta próxima viagem acabar. Murillo e Leonel, que dividiram as experiências mais intensas de nossas vidas nos últimos meses, terão, nas próximas semanas, a oportunidade ideal para fechar com chave de ouro. Companhias perfeitas nos últimos meses e ideais para uma aventura como a que está por vir. Companhias que farão falta nos próximos meses. Melhor deixar o pensamento da despedida para depois, até lá temos muita coisa pra viver.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Conversas noturnas no novo endereço

Tenho um endereço novo pela terceira vez em quatro meses. Sem grandes motivos, decidi mudar de apartamento e foi hoje que tudo ocorreu.

O desafio seria ter tempo para tudo. Eu deveria juntar todas as minhas coisas e levar para o novo apartamento entre o final da aula e o início do trabalho. Eram três horas e meia quando eu cheguei em casa. Às 16h30 eu deveria estar a caminho do trabalho. Uma hora talvez não fosse o suficiente para fazer tudo, mas acreditei que me apressando tudo correria bem.

Impressionantemente, em 20 minutos tudo estava junto à porta, nem era necessária tamanha rapidez. A dona do apartamento já estava me esperando. Faltavam menos de 40 minutos para ir para o trabalho. Andamos pouco mais de uma quadra até chegar ao novo prédio. Eu não pensava em como seria a minha cama, o meu quarto novo, se teria piscina e academia como na acomodação anterior ou se haveria espaço suficiente, até por que sabia que era do mesmo estilo do outro. O que eu realmente queria era saber quem seriam as pessoas com quem eu moraria. Eu já havia ouvido falar sobre as tais francesas do apê. Seriam três, além de uma brasileira e de três poloneses. Alguns deles estavam prestes a se mudar, seriam as tais possíveis beldades francesas, ou os não tão importantes colegas de quarto poloneses? Isso sim me importava.

Não tive tempo para descobrir antes de ir trabalhar. A dona do apartamento apenas pode mostrar-me o quarto, o banheiro e essas coisas que a mim não importavam muito. Ninguém em casa. Já era hora de sair, à noite talvez conhecesse meus novos colegas de apartamento.

Após dezenas de espetos, picanhas e pães com alho, voltei para casa, a nova. Conheci os poloneses, simpáticos e prestativos, porém um tanto frios. Falei com a brasileira, Mariana, e seu namorado gringo, Daniel. Não precisou muito papo para perceber que são gente boa. As tais francesas, entretanto, ainda não estavam presentes.

Quase à meia-noite, chegava uma delas, Melissa. Naturalmente contamos durante longo tempo nossas histórias recentes. Morava perto da Espanha, estava na Austrália há cinco meses e também era recém chegada a esta acomodação. Apesar de ser filha de brasileira com australiano, não falava português nem conhece o Brasil.

Depois de uns 40 minutos conversando, entre bocejos de jovens trabalhadores cansados, foi dormir. Voltei a atenção para este texto, quando chegou mais uma através da porta.

- Oi, tudo bem? - perguntei, notando o andar trôpego.
Uma nova vista da madrugada de Sydney
- Tudo, apenas um pouco cansada e bêbada - respondeu com sotaque claramente francês - Você é o brasileiro que vai morar conosco? - começava uma nova conversa (essa já não tão interessante e sem tanto nexo).

Logo ela resolveria dormir. Dedos ao teclado. Eles alternavam entre o presente texto e a conversa com amigos do Brasil cheia de saudade, quando abriu-se a porta do quarto das gurias. Melissa ainda não havia dormido e surgia de pijama para jantar em plena madrugada. Cozinhou algo e agora parece estar vindo juntar-se a mim na mesa. Bom, 02h.. Acho que vou conversar mais um pouco e depois ir dormir.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Meu estranho envolvimento com uma "empresa de transportes"

Dois dias de folga na semana pareciam muito. Eu estava com energia de sobra e o feriado de páscoa parecia não reservar grandes programas. Pensando nos planos para os próximos tempos, decidi topar um trabalhinho extra. "Façamos dinheiro", pensei. Eu iria trabalhar com transporte de mudanças. Meu colega de apartamento havia recebido o convite mas não poderia aceitar. Eu mal sabia o que aquilo me reservava.

Ao meio-dia, cheguei caminhando a um hotel próximo à Estação Central. Uma chinesa de 1,5 metro de altura me aguardava. Nancy era o nome. Sorrisos e diálogos não eram o forte daquela mulher. Exceto as poucas palavras que ela dirigia a mim, toda a comunicação que ela mantinha era em chinês, tanto com o velho motorista do caminhão, quanto com os empregados do hotel, que pareciam conhecê-la bem. O clima não era muito favorável. O local sombrio aumentava a tensão. Eu gostaria de saber como seria o serviço, quanto receberia, quanto tempo trabalharia, qual time me acompanharia. Não estava, porém, suficientemente confortável para trocar palavras com aquela mulher. O caminhão estava a postos esperando para ser preenchido assim que o portão do estabelecimento fosse aberto. Quando o segurança abriu o estacionamento, eu me apavorei. O local estava lotado com pilhas de camas, colchões e TVs. O caminhão foi aberto.

- Pode começar - afirmou a chinesa.
- Ma... Mas e... Tudo isso? Tudo tudo? No caminhão? Quantos vão participar disso? Ou eu vou ter que carregar sozinho? - em uma sequência de perguntas, tentei tirar todas as dúvidas que faziam-me explodir de tensão tentando, contudo, demonstrar o mínimo possível da minha preocupação. E se fossem parte de uma máfia chinesa?  E se todo aquele material fosse recheado de contrabando, drogas, armas? E se eu recusasse o trabalho? Eu os deixaria na mão. O que fariam comigo? Melhor não desistir - pensei.
- Não se preocupe, você vai ter ajuda - respondeu apontando para traz de mim.

Virei 180 graus batendo com o peito em algo. Era quem me ajudaria. Olhei para baixo para enxergar e me desanimei. Meus músculos ficaram cansados no momento em que vi de onde viria minha ajuda, antes mesmo de levantar o primeiro colchão. O meu time era uma chinesa menor que a chefe. Ninguém mais. O hotel estava em reforma. Todos quartos receberiam móveis novos. Que tipo de empresa contrata uma pessoa daquelas pra levantar peso e fazer um trabalho que exigisse força como aquele? Tive de aceitar a situação. Melhor do que ser raptado e ter meus órgãos vendidos em espetos para consumo humano na China junto com cachorros, grilos e escorpiões. Talvez a academia que eu vinha fazendo me ajudasse no desafio. Bastava superar-me fisicamente para ter minha sobrevivência conquistada.

Deslocamos tudo para perto do caminhão com ajuda de um carrinho. Até então, ok. O pior, porém, ainda estava por vir: levantar tudo e acomodar dentro do veículo.

Não seria possível, o conteúdo parecia ser três vezes maior que o espaço existente no caminhão. 

 - Você tem que colocar tudo - afirmou a chefe em tom de ordem e olhos de ameaça, como que lendo meu pensamento. Não era uma ameaça explícita, havia um sorriso no seu rosto como quem diz: acho melhor você encontrar lugar aí dentro, senão...

Foi o bastante para eu ver o caminhão aumentar três vezes de tamanho. Nem senti o peso ao levantar cada cama, bastava lembrar daquele sorriso medonho. Primeiro os colchões, depois as camas e então as televisões. Encontrei espaço onde não havia. Só mais tarde passei a sentir o resultado de tanto esforço em cada músculo do meu corpo. Estava tudo dormente, ao menos não havia dor.

30 colchões, 12 camas, 10 televisões, 2,5 horas e 1,75 litro de suor. Consegui(mos) fechar a porta do caminhão após muitos empurrões. O pior já havia passado. Bastava despejar o conteúdo todo para fora do caminhão. Entramos no veículo. Uma longa viagem. Duas horas para ir e voltar.

Nada fazia o clima ficar tranquilo. Eu viajava por pontes e florestas macabras sentado entre dois chineses suados e fumantes compulsivos. O cheiro deles só não era pior que o odor dos cigarros que fumavam na cabine completamente fechada. Não havia brecha alguma na janela para arejar aqueles dois metros quadrados. Eu me controlava quieto esperando a hora de voltar para casa e tomar um banho.

Finalmente chegamos ao destino, um depósito de velho e abandonado. Não tive problemas lá, largamos todo o carregamento. Pude respirar antes de voltar à cabine e, então retornar para Sydney.

A Harbour Bridge! Finalmente, estávamos chegando perto de casa. Ela fez as contas do pagamento e me explicou como funcionava. Eu havia ficado mais de cinco horas em função do serviço. A chefe, no entanto, não contou pelas horas de deslocamento. Eu já havia feito uma estimativa de acordo com a minha expectativa, mas a realidade era decepcionante. Estávamos novamente na cidade e em segurança, o temor já havia passado. O que me incomodava naquele momento era a grana que ela oferecia. O problema foi ter coragem de reclamar, contestar ou apenas questionar o valor. Não era algo irrisório, mas abaixo do esperado e um tanto injusto pelo esforço ao qual eu havia me submetido.

Desci do caminhão e voltei rastejante, não só pelo cansaço ou pelo desânimo por receber menos do que o esperado, mas, principalmente, por me sentir omisso diante daquela chinesa. Preferi evitar contestar a quantia paga pensando em não criar estresse ou não perder a chance de ser chamado novamente. Atitude (ou falta de atitude) estúpida. Eu jamais aceitaria trabalhar novamente com eles! Afinal, com o jeito estranho daquelas pessoas, com a comunicação indecifrável que mantinham pelos celulares e com o peso suspeito de alguns materias carregados, a possibilidade do envolvimento daquela "empresa de transportes" com algum tipo de máfia chinesa não me parecia absurda.

sábado, 23 de abril de 2011

O aquário de Sydney

Segunda-feira. O início de semana seria com passeio pela escola. Eu e meus amigos decidimos fazer o nosso próprio programa e evitar a estranha escolha dos colegas de ir à praia no tempo impróprio para curtir areia e mar. Não faltam opções interessantes, andar pelo topo da Harbour Bridge, ir às Blue Mountains, conhecer um dos tantos zoológicos, visitar o centro olímpico... Escolhemos o Sydney Aquarium. Só havíamos recebido boas indicações sobre o local - apesar de virem do Leonel, biologo de nascença e de profissão, pareciam ser confiáveis. Eram.

Sol, fones de ouvido e quinze minutos caminhando de casa à Darling Harbour. Os 30 minutos aguardando pelos amigos atrasados não seriam tão agradáveis não fosse a trilha sonora e a vista de um dos cartões postais da cidade.
 

Meio-dia e trinta eles chegavam. A fila de espera era pequena, apesar do bom movimento. Estávamos atrás de uma dúzia de crianças barulhentas. Apenas a presença das duas jovens professoras fez que não nos importássemos com a bagunça e os gritos dos pequenos. Eu me estressaria, olharia feio, tentaria assustar para espantar as pestes que se jogavam de um lado para o outro e pisavam em nossos pés, mas mal olhávamos para as crianças. Talvez nenhum peixe ou crustáceo tenha sido tão admirado por nós quanto aquelas professoras de olhos claros. Morenas de olhos claros. Jovens mesmo, não mais de 21 anos. Pena nos perdermos delas logo na entrada... Ah, sim, o aquário! A entrada custou 23 dólares, já que apresentamos carteira de estudante.


No início nada surpreendia, vimos uns peixes presos em aquários de tamanho convencional. Uns coloridos, outros apenas grandes, cinzentos e bocudos. Interessante, mas nada demais. Estávamos mais preocupados em debater sobre a felicidade deles vivendo aprisionados.

- Ah, pelo menos esse aqui deve estar feliz - disse o Nick ao ver um peixe em um aquário de tamanho razoável tentando se convencer a não ficar com pena.

 

Finalmente um grande aquário, o do Ornitorrinco. Lemos todos dados fornecidos nas placas. A nossa expectativa de ver aquele bicho estranho era grande, afinal não é sempre que se vê algo parecido com o filho de uma lontra com um pato. O ambiente dele era ornamentado com troncos e plantas. Segundo as informações, o bicho costuma viver dentro de troncos, onde pode permanecer por longos períodos. Esperávamos que esse tempo no qual fica escondido não fosse maior que 30 minutos. Esperamos meia-hora e nada. Perdemos a paciência e seguimos o trajeto frustrados. Mais tarde voltaríamos para ver se teria saído.

O resto do passeio foi muito mais interessante. Esperávamos ver ao menos alguns tubarões, pois o aquário visto de fora não parece ser grande e imaginávamos. Entretanto, quanto mais andávamos pelos corredores, mais nos impressionávamos com o tamanho do local e com a diversidade de espécies expostas. Nem sentíamos mais pena pelo aprisionamento dos peixes, sapos, siris, polvos e estrelas-do-mar. Estávamos entretidos. No entanto, apenas quando encontrássemos uma grande escadaria iríamos nos divertir.

Havia uma grande piscina, como esperávamos. A diferença é que poderíamos andar dentro dela, em corredores envidraçados. Aquilo sim valeu o passeio. Durante mais de uma hora, observamos cara a cara tubarões, raias (ou arraias) e o grande dugong, animal típico da Austrália, o mas interessante que vimos, na minha opinião.

Dugong visto pelo corredor subaquático
 


 

Estávamos satisfeitos, porém não havíamos esquecido do ornitorrinco. Voltamos todo o percurso até aquele aquário. Mais dez minutos procurando e tentando enxergar dentro dos troncos sem sucesso. Insistimos, mas não havia jeito. Não nos importamos tanto, já que o passeio havia superado as expectativas. Realmente o dia tinha sido muito bom. Faltava apenas uma coisa para ele ser completo; era uma pena irmos para casa sem ver aquelas professoras novamente.